sexta-feira, 29 de abril de 2011

SER HONESTO NO BRASIL É INCONSTITUCIONAL

De: José Acaci

Quando um político é eleito
pra defender seu mandato,
logo no primeiro ato
tudo é bonito e perfeito.
Diz que é um homem direito,
se agarra à Constituição
e jura a toda nação
que é um homem honesto,
deixando ali seu protesto
contra a corrupção.
Mas a negociação
já está a passos largos
pelas mudanças de cargos...
E adeus Constituição.
É um fazendo pressão,
e outro querendo propina.
Tudo por trás da cortina
ou por debaixo do pano.
Entra ano e chega ano
e a coisa vira rotina.
Há poucos meses atrás
só não ouviu quem não quis,
que esse nosso país
estava com todo gás.
Arrecadando bem mais
que muitos outros países,
e que as novas diretrizes
que nunca antes se viu,
deixaram nosso Brasil
imune a todas as crises.
Mas crise é só o que avança
aqui na nossa nação:
tem crise na educação,
tem crise na segurança,
na saúde da criança,
nos leitos dos hospitais,
nas estradas federais,
nos transportes e nos portos,
crise nos aeroportos,
e escolas municipais.
Os políticos se escondendo
por trás da imunidade,
e o jogo da impunidade
nosso país ta perdendo,
e quem tem olho ta vendo
a crise na juventude
e o crack, de forma rude,
destruindo nossos lares,
e os nossos parlamentares
sem tomar uma atitude.
Tem crise nos bastidores
desses hospitais lotados.
Brasileiros humilhados,
jogados nos corredores.
E no excesso de assessores
desse político ladrão,
esse mesmo cidadão
que num primeiro momento
fez um belo juramento
ante a Constituição.
Uma nova lei foi criada
pra não deixar eleger
e não botar no poder
quem fizesse coisa errada.
Mas a nossa pátria amada
foi vítima de um novo ato,
que nos mostrou o retrato
dessa turma que garimpa:
nossa lei da ficha limpa
ficou pra outro mandato.
Com tanta politicagem,
tanto roubo, safadeza,
falcatrua, esperteza,
extorsão e malandragem,
só falta vir a mensagem
do Senado Federal,
que nesse tempo atual,
de uma maneira sutil,
ser honesto no Brasil
é inconstitucional.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A divisão sexual do trabalho na agricultura familiar na Amazônia: o “não trabalho feminino”


"No trabalho, o sujeito humano desenvolve sua capacidade criadora, orientando-o para novas possibilidades, impulsionando-o para tomada de decisões e escolhas conscientes, orientando-o para busca de novas formas de ser mais emancipadas e autônomas, e que rompam com todas as formas estranhadas do ser social, com enfoque específico à liberdade. Para que este trabalho emancipador e esta ampliação do ser social de fato ocorram, se faz necessário que este sujeito seja protagonista da construção de sua própria história, um ser ativo, participante e que tenha fundamentalmente este reconhecimento em sua subjetividade (Semeghini, 2009). Neste sentido, o reconhecimento do trabalho da mulher e de seu protagonismo vai além da ampliação dos espaços que a ela são destinados na sociedade. Este reconhecimento tem como base o entendimento subjetivo que esta mulher tem de seu papel na sociedade, o quanto esta se valoriza e se reconhece como ser consciente e mobilizador de transformações sociais."
...
"A mulher na contemporaneidade, pela sua inserção em diversos espaços sociais, vem apresentando um papel fundamental na sustentabilidade da propriedade, porém esta ainda parece não ter o reconhecimento de seu trabalho na medida em que as suas atividades produtivas são visualizadas como ―não trabalho‖, uma atividade que não gera renda e recursos para o processo produtivo da agricultura familiar."

Sandra Helena da Silva1
Universidade Federal do Amazonas - UFAM
Sandra Damasceno da Rocha2
Universidade Federal do Amazonas - UFAM

DAQUILO QUE SE É, E DAQUILO QUE SE REPRESENTA


DAQUILO QUE SE É, E DAQUILO QUE SE REPRESENTA

Dentre alguns fatores a se considerar sobre o SER, é que ele é impermanente e mutante.
Na verdade a palavra para melhor definir isso é ESTAR, estamos alguma coisa. Estamos pensando que somos alguma coisa, DAQUILO QUE SE É, e os outros que nos vêem estão pensando algo sobre o que representamos, DAQUILO QUE SE REPRESENTA.
A mente humana por sua limitação não dá conta da realidade na sua totalidade, os outros nos vêem com os olhos e valores que possuem e a cada pessoa diferente, muda também a percepção daquilo que se vê sobre o outro. Nossa aparência física e nosso forma de vestir também molda o que SE É E O QUE SE REPRESENTA. É de se lembrar também que os fatos reais deixam de existir a partir do momento em que acontecem, e passam a virar relatos, boatos, sons e imagens gravadas.
Além disso, a disponibilidade de tempo e dedicação que o ser humano tem para se dedicar a apreender novos saberes (por meio diferentes formas com leitura, música, oralidade, imagem, etc.) também molda a percepção que a cada pessoa tem sobre o mundo. Esse fator de disponibilidade maior para esse ou aquele método de aprendizagem dá maiores capacidades e facilidades em temas diferentes, uns sabem mais de música, outros de informática, outros de cultivo, outros de floresta e outros de leitura. Lembrando que nenhum ser vivo consegue ser perfeito em qualquer uma delas, mesmo com dedicação exclusiva.
Sabendo disso, podemos perceber porque é impossível agradar a todos, pois somos bons, legais, maus, ruins, humildes ou egocêntricos ao mesmo tempo para pessoas diferentes. O que devemos ter em mente é que pessoas diferentes possuem parâmetros diferentes de valoração e julgamento sobre o outro, assim como tem um maior conhecimento sobre algum tema ou forma diferente de aprendizagem. O que interessa é respeitar a diversidade de seres e saberes, pois é ela que nos matem vivos, existentes, impermanentes e mutantes.
Quando temos isso em mente, notamos que para nós estamos sendo o que pensamos ser, e para os outros, somos o que cada um deles sabe e pensa que sabe de nós. Numa relação sempre dialética e mutante. Nesse sentido, a identidade do ser se esvai e se recria constantemente.
Alguns que vivem buscando não ferir ou invadir o espaço do outro, que abrem mão desse ego, pois não se importam com essa imagem gerada, mas buscam ter sua vida dedicada para a doação, para a verdade, a melhoria de vida, de um mundo melhor, mais justo e sustentável, no fundo, no fundo, são as pessoas que estão mais livres e felizes. São a mudança que acreditam e querem para o mundo, esse é o seu sonho e ideologia.
E esses, por pensar assim, são considerados loucos, pois não se preocupam com sua imagem. Voltando ao assunto DO QUE SE É, é bom lembrar que esse eu identitário está moldado pela capacidade do ser em tornar realidade a cada instante aquilo que acredita e pensa ser, então pessoas que procuram ter pensamentos positivos, acabam tendo palavras positivas, suas palavras acabam tornado suas atitudes, hábitos, valores e seu destino. Portanto, somos o que queremos ser.
Mas essa é só a visão limitada de um ser sobre O QUE SE É E O QUE SE REPRESENTA SER.


SOBRE O SABER E AS HABILIDADES
Quando uma pessoa tem maior disponibilidade de apreender uma habilidade desde o berço, pois seus pais ou alguém próximo desenvolveu essa mesma habilidade, é lógico que se gostar e procurar seguir a mesma carreira, essa pessoa terá mais chances de evoluir melhor naquilo que tem disponível o tempo todo, do que outra pessoa que nada disso tem. É o caso de filhos de músicos que são músicos, de filhos de médicos que são médicos.
Enfim, vejamos o caso da música, desde a barriga da mãe o ser ouve música, conceitos do tema, tem os instrumentos mais disponíveis, ouve conceitos do que é afinado e bom, do que não é, tem mais acesso a partituras, recebeu geneticamente do pai e/ou mãe, e/ou avós a maior predisposição para desenvolver partes nervosas e cerebrais ligadas à música. E crescem sendo recebendo motivação para a música, é lógico e óbvio que tem mais chances de ser um grande músico do que aquele que cresce em um ambiente que não tem nada disso.
É lógico e óbvio que existem algumas exceções, as quais estão ligadas a fatores como negação da família e dos pais pelo adolescente, e que por alguma espécie de trauma não quer seguir a mesma carreira dos pais, ou então daqueles que não nascem e crescem nesse ambiente propício, mas que desejam ardentemente, por alguma espécie de admiração, seguir a música. Contudo, nesse último caso a dedicação e o querer vão ser fatores preponderantes para a apreensão desse novo saber.
A ciência, representada por seres que saem das academias universitárias, que também é falha, faz pesquisas para comprovar fatos óbvios como esse, que até para um leigo analfabeto que reflita sobre a vida, pode saber.
Mas essa é só a visão limitada de um ser sobre O QUE SE É E O QUE SE REPRESENTA SER.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

USO DE PENICO COM BEBÊ: EDUCANDO PARA A AUTONOMIA



A educação é um processo contínuo ao longo da vida, ou seja, vai desde a geração até a morte do ser. Em todo tempo da nossa vida surgem fatos novos que temos que apreender e nos adaptar a cada realidade. No começo da vida, o papel de educar é quase sempre dos pais. São eles que ensinam a criança as formas de se comunicar, de se alimentar, de se vestir...

Pais conscientes sabem que devem educar nossos filhos para serem pessoas completas, autônomas e assim possam alcançar a tão sonhada felicidade. Por isso ensinamos nossos filhos a caminhar sozinho e até procurar se sustentar, SENDO RESPONSÁVEL PELA SUA PRÓPRIA EXISTÊNCIA. Cada ser vivo possui diferentes habilidades e maneiras de assimilar saberes, uns mais rapidamente, outros mais lentamente.

Com minha pequena Emília Poema estou no início dessa jornada, e uma interessante experiência que tive foi ver a capacidade de minha bebê que aos 2 meses, quando ela começou a ficar com a cabeça em pé, começou a usar o piniquinho. Muitos amigos só acreditam nessa peripécia quando vêem pessoalmente. Mas saibam, é fato e vou relatar com mais detalhes.

Ensiná-la a usar o penico para sair das fraldas tão cedo não era minha pretensão, isso foi algo que aconteceu meio que naturalmente. Primeiro porque percebi que desde os primeiros dias de nascida, quando a gente ia trocar a fralda dela, ela fazia suas necessidades assim que a gente desobstruía a saída tirando a fralda. As vezes era uma lambança só, merda pra todo lado, na parede e até no papai.

Comecei a perceber que quando ela queria fazer cocô, já dava seus sinais naturais: começava a soltar gases e fazer força, tipo se espremendo mesmo. Geralmente acontecia logo depois de uma mamada, quando há uma maior movimentação dos músculos intestinais e do diafragma. Imagino que isso acontece com todas as crianças, é só os pais ficarem atentos. Aí eu pensei, essa menina vai sair da fralda cedo, então tive a brilhante ideia de colocá-la no penico quando ela começasse a dar os sinais. Não deu em outra. Eu fico segurando ela sentadinha no penico e ela faz suas necessidades sem sujar nenhuma fralda. E pra incentivá-la a continuar eu a elogia sempre que ela usa o penico.

Com isso economizei no número de fraldas para lavar (a gente usa fraldas de pano). Ah, e eu tive outra vantagem, ela começou a chorar menos por causa dos gases que causam dores intestinais nos 3 primeiros meses, pois sem a obstrução da fralda, o bebê consegue soltar seus gases mais facilmente. Agora com 6 meses, a pequena ainda faz de vez em quando cocô na fralda, isso acontece geralmente quando a gente demora para prestar atenção em seus sinais, ou quando ela está com o intestino muito solto e não consegue esperar. Mas isso é raro. Às vezes ela chora quando a gente não leva ela pro penico.

Todo esse processo fica mais fácil quando estamos em casa, no ambiente e na rotina que ela está acostumada. Quando passeamos na casa de amigos que não tem penico a gente coloca ela no vaso e ela faz numa boa. Teve uma vez que estávamos visitando uma fazenda e ela deu sinal de que tava com muita vontade, ao 3 meses, e segurei ela acocada pra fazer cocô no mato mesmo, porque não dava tempo de ir ao banheiro.

É importante destacar que a educação tem um pouco de repetição e de condicionamento para acontecer. Começar a ensinar o bebê desde cedo a usar o penico tem outra vantagem que é pular uma etapa na aprendizagem da criança, pois ao invés de a gente associar a mente do bebê a fazer suas necessidades na fralda e depois ter o trabalho de ensinar pra ela que isso não é o certo e que ela tem que usar penico, a gente pula a fase da fralda e já usa o penico. Assim, ainda ajudamos o meio ambiente, com menos fraldas descartáveis ou lavadas.

Como historiadora e profunda estudiosa de práticas culturais de povos indígenas e tradicionais, e sobre os malefícios que o processo de industrialização que a nossa sociedade nos trouxe, cheguei a conclusão que muitas mães indígenas e de povos tradicionais não usam fraldas com nós por falta de acesso, e se adaptam a isso. Hoje, para escrever esse artigo, pesquisei sobre o tema e encontrei o seguinte depoimento:

"Entendo que muitas pessoas fiquem chocadas. Depois de décadas de escolhas convenientes para os pais e ruins para os filhos, parar de usar fralda é uma grande mudança cultural, um retrocesso.”
...
Existe até o movimento Diaper-Free que “é inspirado em mães de países da África e da Ásia que, sem outra opção, criavam as crianças sem fralda. Autora de dois dos três únicos livros sobre comunicação da eliminação nos Estados Unidos (" Infant Potty Training: A Gentle and Primeval Method Adapted to Modern Living" e "Infant Potty Basics: With or Without Diapers, the Natural Way"), Laurie Boucke é uma das pioneiras entre as mães americanas. Ela aprendeu o método com uma amiga indiana no início dos anos 80. "Eu usei o método convencional com meus dois filhos mais velhos, mas tive a oportunidade de fazer diferente com o caçula, que hoje tem 25 anos. Ele tinha três meses quando aprendi o infant potty training (treinamento de penico para bebê, nome que Laurie deu em seus livros para a comunicação da eliminação) e, depois disso, raramente precisou de fralda. Todo o processo foi ótimo e ele não teve qualquer problema psicológico. Mas, infelizmente, muitas mães na Ásia e em algumas partes da África estão começando a usar fraldas descartáveis, que agora são vendidas em qualquer esquina. Elas querem ser modernas, ocidentais", conta Laurie, que citou mães e bebês de tribos indígenas brasileiras em seu primeiro livro.”

Então fica aí a dica, basta paciência, e acho que essa deve ser a maior qualidade todo pai e mãe que ama seus filhos.

Copio aí alguns parágrafos do site que também defende o tema:

“Ignorar os sinais nos primeiros meses de vida pode significar mais trabalho depois, lá pelos dois anos, quando chega a hora definitiva de ensinar a usar o penico. Mas, para que as fraldas virem artigos dispensáveis na vida de um bebê recém-nascido, não basta prestar atenção aos sinais. A mãe precisa conhecer os horários do filho, estabelecer uma comunicação através de sons como "psss", seguir a intuição, ter o penico sempre à mão e jamais perder a paciência.”

“Uma pesquisa da Academia Americana de Pediatria – a AAP - mostrou que a idade de deixar a fralda mudou nos últimos 20 anos. Até os anos 80 do século passado, as crianças aprendiam a usar o penico antes dos dois anos. Agora, cerca de 60% ainda usam fralda aos três. Culpa da descartável, que vai até o número 6 (para crianças até 15kg), e dos livros de psicologia infantil, que defendem a idéia de que cada criança tem seu tempo. Os que seguem a linha freudiana alertam: pais que competem para tirar a fralda dos filhos mais cedo podem transformá-los em adultos desorganizados e destrutivos e os que punem os filhos durante o processo criam adultos ditadores e fechados.”

Espalhem a experiência para seus amigos.


Kelly Cristina


Obs: Escrevei esse artigo a pedidos de amigas, que sugeriram um livro, mas acho que um livro é muito para falar de um tema tão curto.
Espero ter ajudado.


Fonte dos parágrafos copiados:
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Wyz8ptj_pHgJ:manoeldiasbrazil.spaces.live.com/blog/cns!3657E47F95D68560!286.entry+beb%C3%AAs+ind%C3%ADgenas+fralda&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br

Curiosidades sobre os bebês na Antiguidade:
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:snJ4RXJhqjoJ:babydez.com.br/%3Fcat%3D30+beb%C3%AAs+ind%C3%ADgenas+fralda&cd=16&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Educação e Cultura Alimentar


Educação e Cultura Alimentar
Na PRÉ–HISTÓRIA, quando o homem vivia de forma nômade, ele era essencialmente um caçador e coletava também algumas frutas e raízes para se alimentar. Há cerca de 500 mil anos, o homem começou a usar o fogo, o que mudou completamente a alimentação e os comportamentos sociais a ela relacionados. Quando o homem torna-se sedentário, (fixa-se em locais) começa a agricultura, a produção de alimentos e a domesticação de animais. Dá-se então o início da culinária (IDADE ANTIGA). Surge o pão (egípcios), o vinho, o mel, a cerveja. Na IDADE MODERNA (século XV até a Revolução Francesa, em 1789) houve grandes descobrimentos, Lavoisieur e Pasteur (evolução científica), transporte de diferentes alimentos para vários países, como o café que foi trazido do Oriente para a Europa e aparecem os Grandes chefs – La Verenne e Vatel. Na IDADE CONTEMPORÂNEA (da Rev. Francesa até os dias atuais) surgem os conservantes e outros aditivos alimentares, são observados os efeitos da industrialização sobre a população e o meio ambiente, a alteração nos hábitos alimentares (Fast food). Percebem-se mudanças significativas no modo de vida, na forma de se alimentar e nos próprios alimentos durante os tempos. Alere em latim significa “nutrir”, o alimento é, portanto, o que nutre, o que traz ao homem os elementos que o dispêndio da vida lhe fez perder. “Tudo que é capaz de reparar a perda das partes sólidas ou líquidas de nosso corpo merece o nome de alimento”, nos diz um dicionário do século XVII ”. Mas para que um alimento seja reconhecido como tal, ou seja, capaz de manter a vida, ele não deve somente possuir qualidades nutricionais – conter certa quantidade de nutrientes glicídios, de lipídios, proteínas – é preciso ainda que ele seja conhecido e/ou aceito como tal pelo comedor e pelo grupo social ao qual pertence. Conforme Chemin (2007), A importância da alimentação não pode considerar exclusivamente o aspecto nutricional, sendo necessário entre outros fatores considerar também a cultura alimentar. A escolha dos alimentos, sua preparação e consumo estão relacionados com a identidade cultural – são fatores desenvolvidos ao longo do tempo, que distinguem um grupo social de outro e que estão intimamente relacionados com a história, o ambiente e as exigências específicas impostas ao grupo social pela vida no dia-a-dia. As tradições alimentares peculiares de cada grupo têm importância no seu auto-reconhecimento e auto-estima, expressando ou afirmando determinado valor. Pensar em hábitos e padrões alimentares brasileiros é considerar os fatores de ordem geográfica (clima tropical e temperado – diversidade de alimentos) e sociológica (influências africanas, européias e indígenas). Um alimento deve possuir quatro qualidades fundamentais: nutricionais, organolépticas, higiênicas e simbólicas. Deve ser capaz de fornecer ao organismo, nas condições de equilíbrio mais ou menos satisfatórias: nutrientes energéticos (carboidratos, lipídios), nutrientes energéticos estruturais (proteínas) elementos minerais (macro e oligoelementos), vitaminas, água e ser isento de toxicidade. As características físicas dos produtos alimentares provocam sensações psicofisiológicas. Estas sensações exteroceptivas em primeiro lugar: visuais, olfativas, gustativas, táteis, térmicas e auditivas e proprioceptiva, como a maior ou menor resistência do alimento, ao nível dos músculos da mandíbula ou sua presença estomacal. Finalmente os alimentos provocam sensações gerais secundárias: sentimento tranqüilizante de barriga cheia, efeitos estimulantes da carne. Mas para ser um alimento, além destas três categorias de qualidades, um produto natural deve poder ser o objeto de projeções de significado por parte do comedor. “O homem é provavelmente um consumidor de símbolos quanto de nutrimentos ”. Além de mostrar sua cultura, quando prepara os alimentos, segundo Catherine Perlés (1979, p. 4, In: MACIEL, 2001) o homem propõe uma distinção entre o ato alimentar (no qual o homem não se distinguiria das outras espécies animais em relação à nutrição) e o ato culinário, próprio à espécie humana (o homem é o único a cozinhar e combinar ingredientes). O encadeamento dos atos alimentares: aquisição, transformação e consumo do alimento, é efetivamente um processo ao mesmo tempo partilhado com todos os animais e especificamente humano. Assim, a comensalidade, é o momento de reforçar a coesão do grupo, pois ao partilhar a comida partilham sensações, tornando-se uma experiência sensorial compartilhada (MACIEL, 2001). A população de baixa renda enfrenta falta de recursos financeiros para ter acesso a certos tipos de alimentos. Mas não é seu suposto desconhecimento que impede o consumo de produtos adequados e de baixo custo. De modo geral, há um vasto rol de informações circulando entre as famílias pobres. Mas elas enfrentam dificuldade em substituir hábitos solidamente implantados ou para adequá-los ao saber científico, pois esses hábitos fazem parte de um sistema, onde cada item ocupa um lugar que faz “sentido”, pois está integrado em um corpo de saberes. Torna-se difícil encaixar novas orientações porque as regras alimentares estão incorporadas na interioridade dos sujeitos e encapsuladas pelo aspecto afetivo e pelo prazer que proporcionam. O grande dilema de todos os profissionais da área de saúde que trabalham com essas questões é que eles se defrontam com a realidade cultural da população pobre, diversa daquela produzida pelo conhecimento científico, de que esses agentes são portadores. No entanto, a convivência entre códigos culturais conflitantes não ocorre apenas entre a população pobre, queixa comum dos profissionais da área. Está presente com toda força e intensidade no seio das camadas médias, que desfrutam de maior acesso ao conhecimento científico, em função de escolaridade mais elevada e de condições financeiras para se alimentarem de acordo com padrões considerados adequados.
Educação alimentar e nutricional
É “Um conjunto de estratégias sistematizadas para impulsionar a cultura e a valorização da alimentação, concebidas no reconhecimento da necessidade de respeitar, mas também de modificar, crenças, valores, atitudes, representações, práticas e relações sociais que se estabelecem em torno da alimentação, visando o acesso econômico e social de todos os cidadãos a uma alimentação quantitativa e qualitativamente adequada, que atenda aos objetivos de saúde, prazer e convívio social.” (Boog, 2004). A educação é a troca de informações e conhecimentos entre o educador e o educando, utilizando uma linguagem entendível, dentro de um ambiente que conduz ao aprendizado. A educação alimentar, se insere na educação em saúde, a qual tem por objetivo a formação de atitudes e práticas coerentes com a promoção e prevenção da saúde: andar a pé, não fumar, não ingerir drogas e álcool, praticar esportes e fazer exercícios ao ar livre, ter alimentação variada e adequada ao seu tipo físico, são comportamentos incentivados pela educação em saúde. A educação alimentar, por sua vez incentiva o consumo de alimentos simples, naturais, frutas, hortaliças e recomenda evitar doces, supérfluos, gorduras e alimentos muito condimentados. Para pensar em Educação Alimentar e Nutricional, precisamos entender também que ela deve ser encarada como um trabalho sistemático, contínuo, multidisciplinar e de natureza complementar a familiar que não se exclui nem se dispensam mutuamente. Neste aspecto, a escola tem também um papel fundamental na promoção da saúde, pois propicia um ambiente que contempla a aprendizagem e a relação com a comunidade.

Por: Sheila Pereira Rangel

Nutricionista, professora do Curso de Formação de Gestores para Cozinhas Comunitárias REDESAN 2009, organização e adaptação do texto.

Como escolher a informação?


Como escolher a informação? Em quem acreditar?


Um artigo do médico americano, Tim O’Shea, chama a atenção pela visão original que apresenta e que tem como referência o livro “Trust us, we’re experts”. Neste artigo, ele faz uma revisão sobre como a mídia pode estar determinando a forma que enxergamos o mundo. O assunto é de notável importância, principalmente dentro da ótica americana, mas com certeza, também nos diz respeito.


Pode parecer incrível, mas o hábito de fumar entre as mulheres americanas foi estimulado por médicos entre os anos 30 e 40. Artigos das revistas “Time” e “Life” daquela época ilustravam este apoio. Mais incrível: uma entidade de apoio à informação médica e científica referendou o uso de chumbo na gasolina. Mais de trinta milhões de toneladas de chumbo foram lançadas na atmosfera com o apoio técnico de quem, em tese, deveria defender a saúde do homem e do meio ambiente. Há um instituto americano que afirma que não existe efeito estufa, e que os EEUU não devem mesmo assinar o tratado de Kioto, pois tudo não passa de um “hoax” (embuste). Talvez mais da metade de todas as notícias do “Wall Street Post” não passe de matéria paga ou informe publicitário disfarçado de notícia. (Aliás, se a gente prestar atenção nas nossas revistas semanais mais em evidência, não parece ser 100%?)


Estes são alguns poucos exemplos de como a informação tem sido manipulada desde o século XX. O dr O’Shea chega a firmar que não existe um único pensamento ou comportamento que não esteja além do limite habilitado por quem tem o domínio do sistema. Mesmo pessoas “de vanguarda” que acham que fazem coisas que vão contra o “status quo”, ainda assim estão dentro dos limites do que é esperado.

Esta mágica de dominação tem o auxilio do inventor do “press realese”, Edward Bernays, o pai do marketing moderno. O grande lance deste “fabuloso” homem foi usar os princípios de conhecimento psicológico de seu famoso tio (Sigmund Freud) de modo reverso: ao invés de descobrir os conteúdos inconscientes e libertar o homem de seus sofrimentos recônditos, a psicologia do marketing é eficiente por aprisionar o indivíduo, escondendo a realidade e instigando as pessoas a crerem em ideais, conceitos e sentimentos que os habilita a serem consumidores. Mais do que isto: constrói um sistema de crenças corrompido no sentido de dar a certeza que o que sua sociedade lhe oferece é o melhor. Este processo tem seu ápice quando cada um de nós não consegue perceber que o processo está em pleno andamento (“o bom marketing é aquele que não é visível”). Na opinião de O’Shea, a garantia deste sistema jamais fracassar está baseada na maneira atual de educar e fornecer um entretenimento para as crianças. A estratégia em prática os deixará incapazes de vislumbrar esta manipulação. (Nos EEUU, os jovens não sabem ler romances clássicos, e tem os escores mínimos de aprovação rebaixados progressivamente – ninguém, roda, além disto elas são maciçamente medicadas com entorpecentes tais como ritalina e antidepressivos, e assim formarão uma população incapaz de questionar o mundo).


Bernays merece o título de gênio, não é à toa. Ele tinha seus princípios. No seu ponto de vista a democracia é muito boa para todos, e para manter todos dentro de uma sociedade democrática é melhor que seus pensamentos fiquem dentro de certos limites. Ele afirmava que: “a manipulação científica da opinião pública é necessária para superar o caos e o conflito em uma sociedade democrática...”


Ele montou uma infalível estratégia de validar os empreendimentos de grandes transnacionais (Monsanto, GM, Eli Lilly, Goodyear, Procter & Gamble, entre outras) usando o artifício do “Terceiro Independente”, criando um número incrível de fundações e institutos de suporte a estas empresas. São instituições de nomes pomposos e que soam convincentemente ao público em geral. Um exemplo, a Global Climate Coalition (ver site na Internet) que afirma que o efeito estufa é uma falácia, desta forma ampara a GM a não parar de produzir carros, e melhor, desobriga a empresa interessada em afirmar isto, já que ficaria óbvia demais a intenção da fabrica. Um instituto de pesquisa médica (Sloan-Kettering Memorial) chegou a afirmar por anos que o corpo humano era habilitado a se desintoxicar do chumbo, o que permitiu o uso deste metal venenoso no combustível até pouco tempo atrás.

A corrupção cognitiva vai mais além. Um autor chamado Peter Hubner sublinhou a redefinição de ciência. Até então ciência já seria um marco intransponível de qualidade, tal como um dogma religioso. Em 93, Huber cria o termo “junk science”. E assim a ciência, além do respeito sacerdotal inquisitivo que já dispunha, só merecerá boa reputação se der suporte ao desenvolvimento tecnológico e industrial. A pesquisa científica que corre o risco de nos mostrar que os caminhos antigos são os mais saudáveis será chamada de inútil (leia-se: ecologia e ciências afins). Neste sentido progresso social será medido, por exemplo, pela sofisticação dos telefones celulares e interferência técnica na produção de agros-negócios. Se nesta sociedade a maioria da população for miserável isto não terá a mínima importância. Bernays pregava que era fundamental tudo parecer científico para o povo mal informado. Ciência valida qualquer proposta de consumo. Assim a pesquisa científica passa a ser um “commodity” no mundo capitalista, e que a partir de então passa a validar premissas e não testá-las, como seria de se esperar frente aos mais elementares princípios do método científico, (podemos chamar de “capitalismo científico” cujos alvos principais são os medicamentos, os alimentos e tudo que pareça essencial no consumo de massas, afinal nada melhor do que adquirir o que é mais moderno em tecnologia, não?).


O texto de O’Shea mostra também o cuidado que merecem as palavras que vão para a audição da população (temas como transgênicos, câncer, vacinas, medicamentos, soja, etc). Relata também que, se necessário for, nada melhor do que implantar a confusão de informações. Tudo é válido para que verdades desagradáveis nunca fiquem plenamente visíveis.


Pelo jeito que a coisa anda, se Galileu e Copérnico tivessem que nos dizer que a Terra não é o centro do universo, seriam os “formadores de opinião” pública (talvez professores universitários ou a intelectualidade burguesa) que os mandaria para o esquecimento ou o inferno da ridicularização.


Em quem confiar? Não será fácil responder a esta pergunta. Mas não podemos nos esquecer que por mais de 140 mil anos vivemos sem os benefícios da sociedade de consumo. Pelo menos uma coisa a gente tem certeza: ela não é essencial. Se através desta sociedade se construísse um mundo sem fome e com menos doenças e sem guerras, talvez valesse a pena defender esta sociedade. Se isto não acontece, apesar de não faltar dinheiro, nem comida para toda a população da Terra, no mínimo deveríamos começar a fazer perguntas, mesmo que as respostas que vierem não agradem nossas crenças e os nossos ouvidos...

(José Carlos Brasil Peixoto, 08/12/04)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

BANDA COVER NO BRASIL - O ROCK ALIENANTE




É de conhecimento que o rock surgiu nas culturas anglo-saxãs (Inglaterra, EUA, ...) como estilo musical de protesto aos costumes e sistema vigentes. Dentro desse contexto não há que se falar em alienação cultural.
E para falar nesse termo (alienação cultural), convém destacar que ele se remete ao sentido de “alien” mesmo, aquilo que é de fora, exógeno, que está fora da realidade e contexto cultural. E a esse papel servem de exemplo claro os grupos covers de bandas internacionais de grande sucesso e público de massa.
Destaca-se que a música, como expressão cultural dos seres humanos, muda suas manifestações de acordo com cada época e contexto sócio-cultural. De forma que quando um povo deixa de produzir e reproduzir aquilo que lhe é próprio para copiar e reproduzir algo exógeno, passa pelo processo de alienação cultural, também denominada de aculturação.
No caso do Brasil, isso se agrava quando a cópia é de músicas com letras em inglês num país em que a população mal sabe se manifestar e entender claramente a própria língua. Infelizmente vejo muitas crianças e jovens balbuciando letras de músicas que não tem a mínima noção do que quer dizer.
A música é uma das manifestações artísticas do ser humano, e, como tal, sua tarefa primordial deve ser a de participar consciente e ativamente para fazer os ouvintes refletirem sobre a realidade que nos envolve. No entanto, o músico como artista só pode fazer isso quando conhece o contexto social e cultural em que vive, quando encarna em suas músicas o sentido e os dramas da vida.
Como exemplo desses músicos brasileiros podemos citar João do Vale, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Cordel do Fogo Encantado e muitos outros músicos que seguiram ou estão seguindo a via-sacra da produção autoral e que não abrem mão da qualidade e da singularidade de seus trabalhos. Os músicos do rock nacional também tem bons exemplos, pois souberam pegar a ideia da rebeldia e da musicalidade falando da nossa realidade, sem perder a musicalidade Brasileira, como é o caso de Cazuza, Renato Russo, Cássia Eller, Mutantes, Secos e Molhados, Novos Baianos, dentre outros.
Esse tipo de produção musical, ou seja, a independente, é difícil sim, ela requer sacrifícios físicos, psicológicos e financeiros. Mas no final a compensação é boa, pois é o que fica registrado na memória dos que ouviram e é o que fica gravado pra história como manifestação cultural de um indivíduo criativo.
Já os indivíduos plagiadores, os de bandas covers (como The Doors, Beatles, e outros) que tocam músicas de bandas de grande sucesso, principalmente de bandas escolhidas pela mídia e preferidas pela grande massa, podem até colher rapidamente os frutos de seu trabalho, pois para angariar aplausos e admirações de tietes e de seu público alienado, eles trilham o caminho mais fácil e acabam por fomentar a alienação de nosso povo que já sofre muito com isso desde tempos remotos da colonização.
É importante lembrar que músicos que tem música própria acabam tocando cover porque o público só quer saber de rock clássico mesmo, mas lembremos que esse é o caminho curto, que tem seus limites, já que a banda cover não tem possibilidade de crescer no mundo musical, pois seu campo de atuação é apenas a cópia, e cópia por cópia, se for pra tocar igualzinho, então aperta o play, ou então que toquem músicas de sucesso que falem nossa língua, de nossa cultura, de nossa realidade.
Enfim, gosto e admiro muito mais de bandas que tocam suas músicas!!! Por que "copiar é fácil, criar é que é difícil".
Sei que isso é pesado para alguns, e sei também que não sou a dona da verdade, mas é isso o que eu acho depois de estudar tanto sobre história, cultura, sociedade e arte.

Fonte de inspiração:
A PRODUÇÃO INDEPENDENTE NO NORTE DE MINAS É UMA DAS MAIS TALENTOSAS DO BRASIL.
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:hifOZN2hM1AJ:www.overmundo.com.br/overblog/independencia-e-musica+aliena%C3%A7%C3%A3o+cultural+de+bandas+covers+no+brasil&cd=10&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CULTURA POLÍCITA MEDÍOCRE



Caramba.. Como é possível???

Isso é possível porque a maior parte da população brasileira ainda padece de uma mediocridade cultural  coronelista, clientelista e populista.

Isso tem sua causa na permanência da falta de informação que essa população possui ao não compreender plenamente sobre como utilizar as oportunidades que a democracia lhe dá.

E como num jogo de mão dupla, as próprias pessoas que poderiam mudar isso mais rapidamente, os políticos, não fazem políticas e leis públicas para melhorar o nível educacional da população.

Mas eles tem seus motivos, se essa mudança acontecer, esses mesmos políticos irão perder seu poder, e nós sabemos que quem se beneficia dessa ignorância não quer essa mudança intelectual das pessoas.


PRECISAMOS ELEGER MELHOR NOSSOS REPRESENTANTES.

NA DEMOCRACIA, SE HÁ UM IDIOTA OU UM CORRUPTO NO PODER
É PORQUE ELE ESTÁ MUITO BEM REPRESENTADO.

EDUCAÇÃO é uma crucial ferramenta de se mudar ou fazer permanecer uma cultura,
ela é por toda a vida, não acontece só em instituições formais como escolas e universidades
acontece de diversas formas até com a leitura de e-mails como esse;


Kelly Cristina Martins - Historiadora e Educadora Ambiental

terça-feira, 9 de março de 2010

CEMITÉRIO DO FUTURO: SUGESTÃO PARA UM MUNDO MAIS SUSTENTÁVEL

A industrialização e a globalização desenfreadas representam uma ameaça real de uniformização e homogeneização culturais, ou seja, de imposição de modelos de consumo por parte de centros criadores cada vez mais fortes a centros consumidores cada vez mais numerosos. Se essa tendência continuar, o planeta entrará em colapso ambiental, pois é impossível que haja equilíbrio ambiental com todos os seres humanos consumindo o mesmo tipo de alimento.
Para uma sociedade mais sustentável é preciso que a humanidade tenha uma visão de si que a integre com o meio ambiente, em conexão com a natureza, como ser biológico, assim como os outros seres, deixando de lado aquela visão biocêntrica que a colocava como única portadora de alma e pensante, e portanto, superior aos outros seres vivos.
Como sugestão exemplificativa e prática, uma das formas de isso acontecer será na remodelação da forma como enterramos nossos entes queridos. Até o momento em que a população mundial não alcançasse níveis assustadores como hoje, poderíamos nos dar o luxo de enterrar nossos mortos em meio a concretos, em caixões de madeira ou cremar seus corpos e não considerá-los como massa energética útil para o equilíbrio ambiental.
Contudo, em tempos de crise ambiental, crise enérgica, aquecimento global, de extrema necessidade de preservação de nossas florestas para a manuntação da qualidade do ar e de uma temperatura tolerável para a nossa sobrevivência, é crucial que passemos a rever essa prática fúnebre.
Seguindo em parte os modelos de alguns cemitérios onde não há concretos, em que os mortos ficam em um lindo campo de gramado, poderia ser utilizado um cemitério-floresta, onde cada corpo fosse enterrado ao pé de uma muda de árvore nativa de cada região. Além disso, o cemitério poderia ter formato circular, com praças no centro para que os parentes se encontrem nesse local e dividam seus sentimentos.
Dessa forma, considerando a capacidade enérgica que cada corpo humano tem - após a decomposição os restos mortais viram adubo - e que boa parte da população mundial de mais de 7 bilhões de pessoas comece a aderir a essa prática, teremos uma considerável compensação energética para as florestas, que obviamente serão mais conservadas por conterem em si o elemento sentimental de ali repousar um ente querido.

Seria o cemitério do futuro.

Com isso evitaremos também a quantidade enorme de calor e fumaça que é lançada no meio ambiente para a cremação de corpos. É claro que isso faria com que a cultura de alguns povos irá ser alterada, mas isso faz parte de uma necessidade vital para todos, e conseqüentemente da nossa evolução comportamental com relação ao meio ambiente.

Carmem Nascimento, em seu blog, fala que em "alguns países têm desenvolvido soluções para essa questão. Na Austrália, por exemplo, foi criado um cemitério dentro de uma reserva natural. Para que os parentes não se percam no meio do Bushland Cemetery, que faz parte do Lismore Memorial Gardens, a localização de cada tumba será registrada com latitude e longitude. Assim, com um GPS será possível encontrar o parente sepultado. Além disso, o cemitério recomenda que os enterros sejam "verdes" ou "naturais", ou seja, que não sejam usados caixões, já que eles são considerados resíduos desnecessários. Nesse caso, o corpo é envolvido em uma mortalha de algodão biodegradável, para que fique em contato próximo com a terra e sua decomposição seja mais rápida e natural. Caso a pessoa prefira um caixão, o cemitério utiliza peças de madeira reciclada ou pinho de reflorestamento. Não se faz cremação no local, porque esse processo libera gases causadores do efeito estufa na atmosfera." Fonte: http://64.233.163.132/search?q=cache:NPvgBuXWnuYJ:sustentavelmundonovo.blogspot.com/2009/08/cemiterio-ecologico.html+cemit%C3%A9rio+ecol%C3%B3gico&cd=5&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Para saber mais:

http://64.233.163.132/search?q=cache:uanQHBC7VAIJ:planetasustentavel.abril.com.br/planetinha/fique-ligado/conteudo_planetinha_468991.shtml+cemit%C3%A9rio+ecol%C3%B3gico&cd=10&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br


http://www.youtube.com/watch?v=atCr0dhg2J8

--
Kelly Triacca
O poder da força vital guia o meu ser para a evolução.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

EFEITO COCA-COLA E REGRIGERANTES


Para lavar o banheiro, vire uma lata de COCA-COLA no vaso, deixe que a
bebida repouse por 1 hora e depois dê descarga. O ácido eliminará as
Manchas na porcelana.

Para eliminar manchas de oxidação de decalques nos automóveis,
esfregue o decalque com um pedaço de alumínio (bombril) molhado na
COCA-COLA.

Para limpar a corrosão nos terminais de baterias do automóvel vire uma
Lata de COCA-COLA sobre os terminais para desfazer a corrosão.

Para afrouxar um parafuso oxidado - aplique ao parafuso um tecido que
ficou molhado em COCA-COLA por vários minutos.

Pra assar um presunto defumado - esvazie uma lata de COCA-COLA na
forma, envolva o presunto em papel alumínio e asse-o. Trinta minutos
antes que esteja pronto, retire o alumínio para que as gotas de
COCA-COLA dourem com o presunto.

Para tirar a graxa das roupas, esvazie uma lata de COCA-COLA na roupa
gordurosa, adicione detergente e programe um tempo médio.

A COCA-COLA ajudará a remover as manchas de gordura. COCA-COLA também
ajuda a limpar pára-brisas.

É isso que bebemos!!! Para sua informação:

O PH de bebidas gasosas, por exemplo, é 3,4. Esta acidez é tão forte
que dissolve dentes e ossos. Nosso corpo detém o crescimento dos ossos
na idade de 30 anos e depois disso, aproximadamente 8% -18% dos ossos
se dissolvem a cada ano através da urina, dependendo da acidez dos
alimentos ingeridos.

Acidez não depende do sabor da comida, e sim da relação de potássio,
cálcio, magnésio, fósforo, etc. Todos os compostos de cálcio
dissolvidos se acumulam nas artérias, veias, tecidos da pele e órgãos.
Isto afeta o funcionamento dos rins.

Os refrigerantes não tem nenhum valor nutritivo (vitaminas e minerais).

Tem um conteúdo alto de açúcar, acidez e mais aditivos como
conservantes e corantes.

Muitas pessoas gostam de refrigerantes gelados depois de comer.
Adivinhe qual o impacto?
Veja: Nosso corpo tem uma temperatura de 37 graus para o funcionamento
das enzimas digestivas. A temperatura de refrigerantes gelados é muito
menor de 37 graus, às vezes quase zero grau, isto reduz a efetivação
das enzimas e força o sistema digestivo a digerir menos comida. De
início a comida fermenta. Os alimentos fermentados produzem gases e
mau cheiro, decompõem-se e formam toxinas que absorvem os intestinos,
circulam no sangue e se espalham em todo o corpo. O derramamento de
toxinas pode provocar várias
doenças.

Bióxido de carbono é algo que nada no mundo recomendaria.

Se você fizer uma experiência, colocando um dente quebrado em uma
garrafa de Coca, por exemplo, em 10 dias o dente se dissolverá. Olha
que os dentes e ossos são os únicos elementos do corpo humano que
permanecem intactos depois da morte.

Imagine o que faz um refrigerante no intestino!!!

Os que gostam, podem continuar, porém, com mais conhecimento sobre seus efeitos.
Mas, que tal trocar o refrigerante por água com gás misturado com um
suco, com uma fruta? Fica delicioso e é nutritivo. Experimente!

DA NET.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

POESIA CULTURAL



Nessa longa busca de conhecimento
Um livro veio me ao relento
Ampliar minha sedenta mente
E trazer motivos pra seguir em frente

Nas asas da cultura aprendi
Que do século que está passando
Nada podemos esperar
Ao contrário,
Disse Garcia Marquez

Humanos,
Demasiados Humanos
Foi o que nos tornamos

E Nietzsche esqueceu-se
Da ontogênese * e da filogênese**
E graças a Gaia
Não reproduziu seu gene.

By: Kelly Triacca
*Ontogenia (ou ontogênese) descreve a origem e o desenvolvimento de um organismo desde o ovo fertilizado até sua forma adulta. A ontogenia é estudada em Biologia do Desenvolvimento. A ontogênese define a formação e desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação do óvulo até à morte do indivíduo. A ideia de que a ontogenia recapitula a filogenia, isto é, que o desenvolvimento de um organismo reflete exatamente o desenvolvimento evolucionário das espécies, está hoje desacreditada. Não obstante, muitas conexões entre ontogenia e filogenia podem ser observadas e explicadas pela teoria evolucionista.

**Filogenia (ou filogênese) (grego: phylon = tribo, raça e genetikos = relativo à gênese = origem) é o termo comumente utilizado para hipóteses de relações evolutivas (ou seja, relações filogenéticas) de um grupo de organismos, isto é, determinar as relações ancestrais entre espécies conhecidas (ambas as que vivem e as extintas).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Patrimônio cultural: novas fronteiras



O conceito de patrimônio cultural e sua crescente abrangência não vêm sendo acompanhados, no Brasil, por uma reflexão sobre as formas de proteção e de gestão do patrimônio. A seleção dos bens culturais a serem preservados à luz dos tratados e convenções internacionais recepcionados pela Constituição de 1988 e as formas legais de acautelamento dos bens culturais não conseguiram evitar a destruição e crescente descaracterização dos objetos oficialmente protegidos, face à incompreensão sobre o papel dos órgãos de preservação oficiais e a dificuldade em conceber a propriedade privada como um bem que deve atender a uma função social e cultural.


Para saber mais, leia esse excelente texto de Ana Raquel Beltrão: http://www.ccj.ufpb.br/primafacie/prima/artigos/n1/artigo_3.pdf

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

EVOLUÇÃO, ELA VAI ACONTECER, QUEIRA OU NÃO.


Se você quer conhecer as possibilidades de um futuro melhor para o Brasil,
recomendo a leitura abaixo para poder agir com consciência tranquila de que
estará vinvendo de forma ecologicamente correta hoje para deixar um meio ambiente limpo e farto para nossos descendentes.

EVOLUÇÃO, ELA VAI ACONTECER, QUEIRA OU NÃO.

Kelly Triacca



Obs: Faço minhas essas palavras:










Folha de S. Paulo, 1º de outubro de 2009.

TENDÊNCIAS/DEBATES

Preferir Marina
JOSÉ ELI DA VEIGA



A base de apoio de um governo Marina Silva será necessariamente construída pela atração daquilo que há de melhor no PT e no PSDB





A PROFUNDA convicção de que o Brasil só se tornará uma nação desenvolvida se vier a ser simultaneamente competitivo e ambientalmente sustentável é o que move todos os que já veem na senadora Marina Silva a melhor solução pós-Lula. E, para explicar os motivos dessa aposta, são unânimes em também enfatizar valores de vida e de convivência consagrados na sexagenária Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Porém, alguns revelam duas sérias propensões a dúvidas ou restrições.
Por um lado, que a espiritualidade de Marina possa trazer prejuízos ao racionalismo iluminista que vem ajudando a sociedade a se livrar de inúmeras superstições e preconceitos limitadores de autonomia individual e de liberdades cívicas. Por outro, que as inescapáveis circunstâncias políticas da viabilização de sua candidatura não ofereçam as imprescindíveis condições de governabilidade.

Na primeira tendência chega a haver insinuações de atitude obscurantista pelo fato de Marina Silva não ser categórica sobre meia dúzia de questões: acesso legal das mulheres ao aborto, direito de usar drogas leves, conquistas da comunidade LGBT, educação científica separada da religiosa nas escolas confessionais e normas de biossegurança para cultivos transgênicos ou pesquisas com células-tronco.
Antes de tudo, não se deve esquecer que são questões sobre as quais há sérias controvérsias ético-científicas que racham a sociedade brasileira. Podem ser ótimas para inquirir a senadora, porque ela assume sua condição de evangélica. Mas, fosse ela tão hipócrita quanto exigem as práticas mais costumeiras da política, tais polêmicas nem seriam lembradas. Muito menos usadas em tentativas de estigmatizá-la ou tachá-la de fundamentalista.

Pois bem, eu sou ateu há mais de 40 anos e radical adepto do darwinismo generalizado. Entendo as religiões como frutos da adaptação cultural. Por isso, não tenho dúvida em optar pelos valores humanos que guiam a senadora. Pois ele são infinitamente superiores àqueles preferidos por materialistas vulgares e que servem até para justificar toda a nojeira que tem sido praticada no Senado e na Câmara dos Deputados pelos dois oligopólios partidários.
Por que deveria eu ter aversão a uma crente que nutre mais respeito pela diversidade cultural e pelas liberdades civis do que todas as raposas políticas juntas? Apenas uma lembrança: as que agora bajulam o ilegítimo e horrendo regime iraniano.
Sobre a segunda tendência, como estimar as chances de governabilidade? A base de apoio de um governo Marina será necessariamente construída pela atração daquilo que há de melhor no PT e no PSDB, alijando do poder os arranjos que foram montados por oligarcas com o propósito de chantagear os presidentes FHC e Lula. Só Marina poderá isolar essa corja.
Se der Ciro ou Dilma, o poder será exercido em parceria com esquema bem semelhante ao que está sendo regido por Sarney, Renan, Temer & Cia. Ltda. Se der Serra ou Aécio, esse mesmo arranjo será recauchutado sob a égide dos demos.
Por isso, a pergunta básica ao eleitor bem informado é: o que será melhor para a sociedade brasileira? Um governo de rude gerência executiva, necessariamente refém de sinhozinhos que organizam e comandam fisiológicos e oportunistas de todas as siglas e regiões, ou uma coalizão entre social-democratas e verdes conduzida por meiga, firme e serena seringueira negra com larga experiência política senatorial e ministerial?
Além disso, não será melhor que a chefia do Estado siga rigorosamente código de ética em que a sustentabilidade ambiental seja algo intrínseco?
Ou seria melhor que ficasse para quem já foi capaz de falsificar méritos universitários e ignora os riscos que corre a espécie humana, por falta de precaução com uma dezena de problemas usualmente classificados de "ambientais", mas que, a rigor, são de segurança e tão sérios quanto a violência alimentada pelo narcotráfico ou por todas as máfias e gangues que põem em xeque o Estado de Direito?
Enfim, está mais do que na hora de parar com esse besteirol de dizer que a alternativa verde seria "ambientalista". O que a distingue de candidaturas vermelhas, rosas ou de colorida plumagem não é qualquer apego romântico à preservação da natureza.
Ao contrário, é a consciência de que não haverá desenvolvimento se o crescimento econômico minar a sustentabilidade ambiental. De que crescer sem conservar é cavar a própria cova.



JOSÉ ELI DA VEIGA , 61, é professor titular da Faculdade de Economia da USP. www.zeeli.pro.br

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pela Evolução da Eco-Cultura Popular




Há muitos anos, muitos mesmos, é possível ver que o povo brasileiro fica indignado ao ver tantas atrocidades cometidas por seus governantes, como também por cidadãos comuns. Em toda a sua história, os mais variados meios de comunicação desse país nos informam sobre desvio de verba pública; roubo de medicamentos de postos de saúde públicos; parlamentar que não comparece ao plenário e também não justifica por que não foi; presidente que retira o dinheiro da poupança de todos os brasileiros pra pagar dívida pública, mas acaba tomando posse do dinheiro; presidente que usa dinheiro público pra pagar dívida de cafeicultores; monarca que sai de Portugal e toma casas de pessoas para habitação de toda sua côrte; etc; etc; etc.
Todo esse dinheiro do povo que é tomado por particulares egoístas, acaba gerando uma série de transtornos sociais, tais como: pessoas que desistem de tentar ganhar seu sustento para roubar; crianças sem escola de qualidade, professores mal pagos; falta de remédio e atendimento médico; uso desordenado de drogas; pessoas com casas em barrancos sendo aterradas pois não tem onde morar; etc; etc; etc.
As causas desses problemas se resumem em duas principais: “a existência forte e marcante de um sistema de organização social centralizador, ou seja, federalismo” e “a falta de uma cultura de honestidade e respeito mútuo entre as pessoas”. Quanto ao sistema federalista, é importante que se saiba primeiramente como se dá a sua origem histórica - para saber mais, leia o texto “O processo de descentralização política - administrativa no Brasil” - .

A CENTRALIZAÇÃO POLÍTICA BRASILEIRA
De forma coerente, o professor da Unijuí relata que é a partir do fim da Era Vargas em 1945, que se iniciará um breve período, relativamente democrático no Brasil com a constituição de 1946 e que culminou com as discussões populares que envolveram as chamadas reformas de base, propostas pelo presidente João Goulart e seu partido, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Notando que poderia perder seu poder e suas respectivas regalias, a velha elite aristocrática e seu sistema militar, põe fim a isso, e dão o golpe na democracia, chega então a Ditadura, retomado a centralização das decisões políticas e administrativas.
Quem entende um pouquinho de organização militar (exército, marinha e aeronáutica), sabe que a centralização pautada na hierarquia e na obediência cega às ordens superiores é uma característica fundamental nas instituições militares. Isso também não é novo, pois a própria gênese histórica dos estados centralizadores, lá no sistema feudalista, tem como pressuposto uma organização militar (vassalos) com grande poder bélico para manter em ordem e submisso toda a casta, a qual deverá trabalhar arduamente para sustentar a nobreza. Então quem tem controle das estruturas beligerantes, pode, caso queira, ter o controle da organização social. A base de espada, bala e bombas atômicas, qualquer um se submete. Mera coincidência? Claro que não, a história anda em espiral.
Nas palavras de Linama, vemos como esse tema é corrente:
“Nenhum tema de ordem política no Brasil é tão importante para o futuro democrático daquele país do que o que diz respeito ao recorte de suas instituições políticas e que, em última instância, significa falar da questão federativa que neste momento começa a sair das preocupações restritas dos círculos acadêmicos para ganhar as ruas.
É unânime entre os cientistas políticos que tem se dedicado a estudar o Brasil a constatação de que um dos principais problemas, no que diz respeito ao desenvolvimento democrático, é o fato de não termos uma tradição cívica da população que compõe o país, ou seja, as questões públicas estão longe das preocupações da maior parte da população. Por outro lado, está se tornando unânime, também, a identificação das razões deste desinteresse em participar das decisões políticas e estas estão associadas à formação histórica do país e ao seu recorte institucional.” ...
...“Um dos mais importantes e complexos aspectos que devemos resolver é aquele que diz respeito, de forma mais ampla, ao que se convencionou chamar, no Brasil, de "questão federativa" e de forma mais específica, as questões que dizem respeito ao debate centralização versus descentralização político-administrativa.”
Resumidamente a história do estado Brasil é uma história de centralização política e administrativa, ou seja, a formação da organização política do Brasil foi um processo que aconteceu de fora para dentro e de cima para baixo. A Independência, a Proclamação da República, o fim da República dos Cafeicultores, o Fim da Ditadura, a Constituição de 1988, todos, apesar de falhos, tiveram sua importância para a construção de um país mais democrático e justo. No entanto essas mudanças foram graduais e ainda não produziram o efeito esperado, as políticas populistas ainda vigem. Mesmo que a constituição de 88 tenha dado maior poder de gestão aos municípios, como nunca aconteceu na nossa história, precisamos evoluir mais. Precisamos agora de uma nova organização política, com municípios mais independentes, autônomos. Precisamos que a centralização federalista perca espaço para uma fragmentação de poder, onde as pessoas ficarão mais próximas dos locais de decisão e de poder. É a fragmentação do poder.

CULTURA DE MASSA E CENTRALIZAÇÃO:

Quanto à cultura do jeitinho malandro e esperto da maioria da população brasileira, cabe destacar que sua origem histórica e a forma como se dá sua conexão com o sistema político centralizador do Brasil. Esse costume de querer se dar bem, de acatar aquele velho ditado “Pagando bem, que mal tem.”, de receber o troco errado e não devolver, tudo isso tem uma longa tradição e vem desde os primeiros europeus que aqui chegaram. No período inicial de descoberta e ocupação do Novo Mundo (América), os ditos desbravadores, por vezes, eram homens que queriam enriquecer da noite pra o dia, encontrar ouro e especiarias que lhe rendessem ganhos para voltar a Europa e usufruir disso tudo. Outros eram criminosos que receberam a condenação de ter que vir colaborar com o Rei para ampliar suas terras. Eles não tinham intenção de aqui permanecer, fixar residência, constituir um novo lugar bom para se viver. Praticavam ações deploráveis, sem a vigilância da sociedade ocidental, sentiam-se na liberdade de fazer tudo que anteriormente lhes era proibido, como forçar mulheres (indígenas e negras) a ter relações sexuais.
Dessas relações é que foram nascendo aquilo que viríamos chamar os mestiços brasileiros. Sabendo da importância de uma estrutura familiar e educacional para se formar bons seres humanos, imagine como era a cabeças dessas crianças que em sua grande maioria não era reconhecida pelos pais, e dificilmente passavam a ser agregadas pelo grupo da mãe, sofrendo com o forte preconceito. Não se espante que o termo mulato, esteja ligado à palavra mula, a qual tem como sinônimos “falta de inteligência”, “burro”, “animal de carga”. Essas crianças quando adultas já aprendiam que para sobreviver nessas terras de gente mesquinha, seria preciso ter “manhã”, ser “malandro”.
Esse preconceito que sofriam - e muitos ainda sofrem - é fruto de um valor que os brancos tinham com relação ao conceito de “identidade cultural”. Estudos antropológicos de grupos sócio-culturais comprovam que para ser agregado ao seio do grupo é necessário que o ser agregado seja considerado como mais um par, ter semelhança social e física com o grupo, ser considerado como “próximo”, e não como “’outro” ou “inimigo”. É nesse raciocínio que se baseia a prática de crimes racistas, pois o racista não entende o “outro” como alguém que lhe seja semelhante, assim como de antipatia, diferença, ódio. Também é nesse raciocínio que se baseia os sentimentos de empatia, afinidade e amor.
Então, por ser um Estado montado de forma exógena, digo de fora pra dentro, com uma elite de mando branca e ocidental vê se claramente porque foi e é necessária a continuidade de projetos que venham formar uma identidade cultural uma. Note-se que apesar de hoje termos alguns descendentes de indígenas, negros ou mestiços em altos postos e cargos políticos e econômicos, a sua grande maioria é branca e descendente da velha aristocracia-escravocata-patrimonialista-cornelista, que pouca identidade cultural tem com o grupo social menos favorecido, que tem os piores salários e postos de trabalho, que mora nos guetos, à margem da sociedade. É verdade, a história vai se movendo em movimentos espirais.
No entanto, apesar de todas as tentativas por parte dos governantes brasileiros de forjar uma identidade nacional única (concursos de livros de história do Brasil, de cultura brasileira, uso meios de comunicação de massa, criação de bandeira, hino nacional...), do Oiapoque ao Chuí, esse país possuí inúmeras formas de organizações sociais com suas respectivas culturas e cosmologias, o que leva com que essas tentativas tenham como resultado o fracasso. Isso porque esse estado centralizador é incapaz de se fazer representativo de todas essas formas organizacionais e assim promover a satisfação de todos os quase 200 milhões de brasileiros ocupantes desse imenso território. (Citar exemplos de diferentes culturas e seus valores). Observe que essa tese é válida para a maioria, se não para todos os grandes territórios com sistemas políticos centralizados.
Nossa estrutura governamental, legislativa, judiciária e orçamentária é tão complicada, que só com muitos anos de dedicação e estudo é possível adentrar os cargos decisórios, bem remunerados e relevantes dessa estrutura através de concurso público. Para se dedicar ao estudo dessa forma, é necessário ter tempo disponível, dinheiro para comprar bons livros, boa alimentação e espaço adequado que lhe permita a concentração. Tudo isso não é para qualquer brasileiro: grande parte fica no meio do caminho da educação formal por falta de alguns, se não todos, esses requisitos acima citados.
Os cargos decisórios, bem remunerados e relevantes dessa estrutura que não requerem concurso, ou são ocupados por indicação de alguém, ou são ocupados através de eleição. Sabemos, na prática, que essa indicação dificilmente é pautada pelo mérito e pela competência profissional, mas sim pelos laços de amizade, familiaridade e empatia e identidade. Sabemos também que para ser eleito nesse país – isso até agora, pois com a ampliação do acesso à internet, como meio de comunicação mais democrático, isso irá mudar – é necessário estabelecer parcerias com a velha ordem política e econômica para se ter acesso aos sistemas de comunicação onerosos, como um tempinho de horário nobre nas emissoras Globo, Record ou SBT, é preciso também ter cacique para mandar fazer milhões de santinhos, comprar objetos (dentaduras, cestas básicas) ou fazer um grande show com o cantor mais popular que aparece nos programas televisivos de domingo à tarde. Tudo isso para ganhar o voto de um pobre eleitor. Conforme manda a cultura política de massa e populista. E assim vamos andando de mãos dadas com o velho sistema coronelista.
A falta de identidade cultural entre a elite dirigente que comanda nossa estrutura política e econômica e os “outros” é causa dessa eterna crise que o sistema político centralizador e que hoje chamamos de Federalismo. Pelas andanças no interior, nas cidades pequenas desse país é possível ouvir a insatisfação das pessoas simples que não entendem porque tantos recursos e impostos precisam sair de se Município, ir para o Estado e depois para a União, para percorrer o caminho de volta. DISCURSO DEP. JURUNA. O que elas entendem é que querem que seus recursos fiquem ali mesmo pra ser investido no que elas acharem necessário, e não que isso seja decidido dentro dos gabinetes de Brasília, com licitações e cartas marcadas, com projetos desenvolvimentistas moldados pela forma de viver ocidental, com políticas públicos que não consideram verdadeiramente o potencial autóctone da região e das pessoas que ali residem.

POLUIÇÃO DO MEIO AMBIENTE E CENTRALIZAÇÃO

Para agravar toda essa situação, atualmente a humanidade, incluindo os brasileiros (claro!), enfrenta uma série de desastres ambientais que tendem a se agravar cada vez mais. As causas desses desastres, além de dependerem urgentemente de ações remediativas por parte de todos (estado centralizador, empresas, indivíduos), dependem também de uma mudança na forma de organização social e política no sentido de possuir multi-centros políticos e de uma cultura de respeito ao “próximo ”.
O sistema centralizador da política e da economia brasileira continua a ser pautado pela exportação e pela tentativa de criar em todos os brasileiros o costume igual de comer, vestir, falar e pensar. As emissoras de TV supracitadas, assim como outros meios de comunicação de massa, cumprem bem esse papel, com seus programas de culinária, de moda e música brega. Com isso, pessoas que poderiam alcançar os ideais de satisfação e felicidade na sua forma própria de viver, acabam tendo um sentimento de querer possuir aquilo que passa nas propagandas agressivas. Para comprar a mais nova Barbie ou o último lançamento de TV, o pai ou a mãe vêem se obrigados a ter que ir morar o mais perto das metrópoles, mesmo que a casa seja bem pior do que tinham na cidade pequena. Nos barrancos, nos morros ou nas favelas, esses seres gastam horas de sua vida para conseguir a moeda de troca e assim consumir aquilo que manda a propaganda, deixando seus filhos a mercê da sessão da tarde alienante, com seus filmes de cachorro ou sereias norte-americanos. Isso também gera a perda da cultura da vizinhança, pois quando chegam em casa, os trabalhadores já ligam a TV.
A estrutura política e econômica centralizada, seus meio de produção industrializada e seus meios de comunicação de massa são um dos grandes responsáveis pelo consumo desenfreado, pela desvalorização daquilo que o bioma natural oferece e conseqüentemente pela crise ambiental que enfrentamos . Para que todos possam comer o mesmo alimento que não é produzido naturalmente naquele local, é necessário que se transporte de longas distâncias ou que se desenvolvam tecnologias agrárias capazes de reproduzir plantas e animais em habitat diferente do de origem, veja, por exemplo, o caso dos transgênicos. Isso, obviamente, gera muito mais impacto do que se os seres humanos buscassem adaptar sua alimentação aos alimentos ofertados naturalmente no local onde moram. Essa prática é uma prática comum entre grupos sociais menores, de longa tradição histórica e cultural, e que estão pouco afetados pelo consumo de produtos excessivamente industrializados. E ressalte-se que além dos alimentos, essa idéia também vale para o uso de medicamentos, vestimentas, construção, etc.
Estudos antropológicos de grupos sociais demonstraram que elementos da natureza, como mudanças de estações, período de plantio e colheita, rituais de morte e acasalamento, normalmente estão ligados às festividades e costumes de grupos humanos. Como num movimento simbiótico, vemos como a natureza acaba por pautar muitos dos costumes culturais de um povo. O grande afastamento que se teve da natureza e de seus ciclos vitais, levando as pessoas a viverem de produtos artificiais, com uso exacerbado e desnecessário de materiais descartáveis (fraldas, copos, pratos, roupas, embalagens...) é um dos grandes responsáveis pela crise ambiental que enfrentamos. Para que voltemos a ter um meio ambiente equilibrado, é preciso que haja novamente uma aproximação com os elementos da natureza e suas mudanças.
EDUCAÇÃO ALIENANTE e CENTRALIZAÇÃO:

Para que essa estrutura política e econômica centralizada funcione é preciso que haja um sistema educacional propício onde as pessoas percam a noção de seu papel na sociedade. É do senso comum que um melhor aprendizado está diretamente ligado à prática do que é aprendido. Veja, por exemplo, se uma pessoa quer aprender música, mas a didática utilizada só faz uso de teorias, sem uma prática musical, sem que se ouça o som, o processo é muito difícil, se não impossível. É com base nesse pensamento que Paulo Freire, um dos grandes pedagogos de nossa história, falou sobre a necessidade de se adequar os livros didáticos de alfabetização fazendo uso de termos cotidianos para as pessoas. Para ele era inconcebível que se ensinasse “U” de uva para uma criança do interior do nordeste brasileiro que nunca tinha ouvido falar de uva.
A despeito de alguns professores heróis e que não seguem esse modelo alienante, a maioria das crianças e jovens que passam pelo ensino formal brasileiro acabam perdendo grande parte de seu precioso tempo de vida aprendendo coisas que nunca farão uso em sua vida. Nas escolas, principalmente nas que formam alunos pra passar em vestibular de universidades federais, há um gasto enorme de material, tempo de alunos e professores para o ensino de tantas fórmulas – químicas, matemáticas e físicas, as quais não terão valor algum para esses alunos, exceto se eles seguirem algum tipo de carreira acadêmica ou científica. A língua portuguesa ensinada quer moldar todos os cidadãos na linguagem padrão “Jornal Nacional”, estigmatizando assim a linguagem e a expressão da cultura popular de cada região.
Uma famosa e cara escola de Brasília, que também trabalha com cursinho para concurso e pré-vestibular, já usou como propaganda, em um painel de rua, o fato de ter ocupado quase a metade das vagas da Universidade de Brasília - UnB em um de seus vestibulares. Por ser cara, é óbvio que quem irá ocupar as vagas da universidade pública e gratuita, são mais tem condições de bancar seus estudos superiores. Será que isso não seria motivo suficiente para que os programas de seleção universitária sejam revistos, tendo em vista o papel primordial do Estado em trazer equilíbrio social, dando aos menos favorecidos socialmente melhores condições de acesso à educação? A única afirmação que se pode fazer disso tudo é que tantos concursos quanto vestibulares acabam por não cumprir o seu papel de realizar uma seleção justa com base no mérito e no grau de inteligência de cada um, pois a maioria dos aprovados teve melhores condições sociais para desenvolver suas habilidades conteúdistas.
Os conteúdos educacionais da educação formal estão longe do cotidiano dos indivíduos. Se a gente pegar alguns jovens de nossas escolas metropolitanas e colocá-los em meio a um mandiocal para sobreviver, eles poderão passar fome nesse meio. Dificilmente se ensina nas escolas de hoje coisas como: cozinhar alimentos saudáveis, cultivar uma horta, valores medicinais de plantas, mecânica automobilística, organização financeira, cuidado com animais, artesanato, reformar utensílios e roupas, organização doméstica, primeiros socorros, música, solidariedade, dentre outros.
A disputa acirrada que ainda se tem pelo curso de direito nos faz refletir qual é real necessidade de tantos formandos que já jogados no mercado de trabalho todos os anos graduados nessa área. Novamente é bom relembrar dos concursos públicos: seria mais plausível que um concurso público de nível superior para um cargo de administração exigisse do concursado uma formação compatível com as tarefas que irá exercer. Mas muitas vezes os editais só exigem que o concursado tenha nível superior. Imagine só um formado em Educação Física sendo administrador de um setor de museus da Câmara Federal. É como se a sua graduação não valesse pra nada, e ele tivesse apenas o segundo grau.
Outro agravante dessa alienação educacional é o fato de que ultimamente no Brasil os programas de inclusão universitária procuram criar vagas para que descendentes de indígenas ocupem vagas no curso superior, sob a alegação de que eles exerçam sua cidadania aprendendo como se dá a organização política e a história desse Estado. No entanto, esquece-se que nesse momento, são os indígenas que devem nos ensinar como viver em harmonia com o meio ambiente, os valores medicinais e nutritivos das plantas, assim como eles sabem. Por fim, o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio – que visa averiguar o grau de aprendizado de todos os estudantes de ensino médio desse país, agora pode ser adotado como mecanismo de filtro de entrada no vestibular. Esse exame é típico de um Estado que tenta padronizar os conteúdos e aprendizados de seus cidadãos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Em que se baseiam as causas de nossos problemas e frustações?


Abaixo segue um texto que considero super importante para que possamos compreender a lógica de nossa existência nesse plano e em que se baseiam as causas de nossos problemas e frustações.



FRUSTRAÇÃO

Esse será nosso tema de estudo, para tanto acho interessante buscarmos todos os meios e recursos disponíveis para estarmos associando idéias novas com as experiências passadas, assim aproveitaremos muito mais o conteúdo expresso. Somos seres existenciais reencarnantes, com isso trazemos em nós uma somatória de experiências que compuseram os códigos de nossos acessos emocionais que traduzimos em ações em nosso dia a dia. Somos uma resposta direta e factual do que amealhamos como informação nessa nossa jornada, assim convido a todos para estarmos tratando de um conceito muito comum a todos, primeiramente tomado como religioso, mas que na prática vivencial acabou arraigado em nosso psiquismo. Vamos lá:

Os sete pecados capitais Pecado, do grego hamartia, é um verbo que significa errar o alvo.

Porém, isso não significa meramente um erro intelectual de juízo, mas, não conseguir atingir o objetivo existencial. Os sete pecados capitais, teologicamente são advindos da perspectiva do Cristianismo, ou seja, é a expressão da perda do destino ou do sentido existencial, comprometido com um processo evolutivo, na busca de realização da alma, que pode ser entendida como salvação e cura de todos os males. Com isso, ao pensarmos nos sete pecados capitais: avareza, gula, inveja, ira, luxúria, orgulho e preguiça, chegaremos à conclusão de que todos esses sete pecados desviam os indivíduos das trocas e da verdadeira felicidade.

Os sete pecados capitais nos dão um tipo de classificação dos vícios que eram abominados na época dos primeiros ensinamentos do cristianismo e que atualmente, por conta do capitalismo avançado, estão cada vez mais presentes no cotidiano da humanidade. O intuito dos antigos cristãos era educar e proteger seus seguidores, no sentido de ajudar os crentes na compreensão e auto-controle das suas pulsões e instintos básicos. É importante ressaltar que não existe registro oficial dos sete pecados capitais na Bíblia, apesar de estarem presentes na tradição oral do Cristianismo. Para mim, devemos entendê-los como doenças biopsicossociais com repercussões em todos os níveis e quadrantes da vida. Neste contexto é que surgem os estudos de psicossomática e dos comportamentos sociopáticos e psicopáticos. Então, cada pecado representa uma tendência equivocada que um fiel poderia ter diante do medo, da angústia e das incertezas da vida.

Como vida é expressão de trocas e relações entre as demandas instintivas, psíquicas, sociais e espirituais, somos constantemente mobilizados por necessidades, desejos e demandas de todo tipo e forma. Por outro lado carregamos uma bagagem genética, racial, familiar, cultural e transcendental que também nos influencia provocando mais desconforto, angústia e incertezas quanto ao nosso destino e significado existencial. Com isso, heroicamente, os seres humanos precisam fazer suas jornadas caminhando entre necessidades, destinos, livre arbítrio e limitações pessoais e coletivas que, de acordo com a situação, podem desembocar em pecados ou virtudes. (inadequações e adequações) Pois ambos estão potencialmente presentes nas atitudes humanas. Além de serem tão relativos quanto os conceitos de bem, mal, certo e errado.

Todas as pessoas possuem, em seus dinamismos psíquicos, tendências de atuação em todos esses sete pecados. Principalmente na atualidade onde vivemos numa sociedade que está brutalizando as dimensões anímicas e espirituais dos seres humanos. Basta observarmos o comportamento da maioria das pessoas que vão ao Shopping para comprar o que não precisam, com o dinheiro que ainda não possuem, para impressionar quem não conhecem! Essa atitude, além de estar na contra mão das questões ambientais e de auto-sustentabilidade, tem conotações de inveja, luxúria, avareza e vaidade. Só o autoconhecimento poderá fazer com que essas tendências sombrias fiquem menos autônomas e que as virtudes possam entrar em equilíbrio harmonioso com os pecados. Pois, no íntimo de cada ser humano tanto as virtudes quanto os pecados estão potencialmente presentes. Tudo é uma questão de consciência e autoconhecimento.

Atualmente, o Capitalismo, e sua pior prática que é a do lobismo, estimulam a avareza, a gula, não só de alimentos, mas de conhecimento, informações, acúmulo, entre outras atitudes que possam dar a ilusão do poder. Além disso, o desperdício, a luxúria do luxo e vaidade estão muito presentes também. Basta refletirmos que estamos vivendo em uma sociedade onde 30% da população mundial é subnutrida e outros 30% é obesa! Qual a lógica disso? A questão da vergonha e da culpa é muito pessoal e dependerá da formação ética e espiritual de cada indivíduo, do momento de vida em que ele se encontra. Então, não podemos criar uma classificação entre os sete pecados. Creio que eles se interpenetram e a prática de um acaba, direta ou indiretamente, desembocando na prática dos outros. Dependendo das condições de vida, dos medos, da angústia e das dificuldades do dia a dia, a prática de um pode ficar mais facilitada do que a prática de outros pecados. Por meio do autoconhecimento, de contínuas reflexões sobre o sentido, o significado da vida, e a compreensão dos desejos, pulsões e atitudes que estão nos motivando é que poderemos harmonizar os pecados com as virtudes. Por isso, o melhor modo de não sermos dominados pelos pecados é não perdermos o alvo, a meta existencial que deveria ser o sacro-ofício de servir ao invés de apenas servir-se da natureza e da vida. E como todos os seres humanos possuem tanto os pecados quanto as virtudes, devemos ter tolerância com quem está sendo possuído por eles e criar condições para despertar as virtudes, em nós e nos outros. À medida em as pessoas se tornam menos egocêntricas e mais amorosas, principalmente iniciando o processo de amar a si mesma, no processo de emancipação espiritual com a prática da individualidade naturalmente as virtudes vão surgindo no lugar dos pecados.

É isso o que Jung propõe com integração da sombra. É por essa mesma razão que Jesus, na passagem com a prostituta diz: quem nunca errou que atire a primeira pedra, e nem Ele atirou!

Dra. Sueli Moretti Villas Boas, Psicóloga
Site: www.smpsicologia.psc.br

Fonte: http://74.125.47.132/search?q=cache:6Ha4wmCalu0J:www.ipirangacenter.com.br/colunista.asp%3Fid%3DC+obras+constru%C3%A7%C3%B5es+luxuria+luxo+vaidade+humanas&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Arte, Música, Política, Filosofia, Economia, Natureza e Cultura, tudo isso em Rosseau


Contra a supervalorização da razão, ele argumenta que a razão, a consciência, tornou-se um instrumento responsável pela má condução da sociedade, desde os primeiros momentos em que as primeiras relações sociais afastaram o homem de seu estado de natureza. À medida que se sucederam as idéias e sentimentos, na longa trajetória dos primeiros tempos de formação da vida social, o espírito e o coração do homem em estado de natureza entraram em atividade. A razão, formada através da longa sucessão dos acontecimentos, conduziu a sociedade para sucessivas etapas de progresso, que Rousseau chama de "novas luzes". As primeiras atividades do espírito, primeiras reflexões, primeiros atos de raciocínio, estão na origem das "luzes" e, simultaneamente, dos males sociais. Não fossem estas mesmas "luzes", não teriam surgido os males sociais.

Para saber mais, leia:
http://74.125.47.132/search?q=cache:aYPKrDCvr_oJ:www.espacoacademico.com.br/018/18cgiani.htm+ensaio+luxuria+luxo+vaidade+humanas&cd=8&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

domingo, 14 de junho de 2009

Novo estatuto retira de índios a condição de inimputáveis


Car@s,

Essa notícia vem nos mostrar como nossa sociedade está em pleno amadurecimento ao emancipar em nossa legislação a própria conceitualização termo "indígena". Esse novo conceito reconhece o indígena como um ser pleno de suas capacidade humanas, ou seja, torna o índio uma pessoa como outra, igual a qualquer cidadão brasileiro.

Esse é o sinal que nós, descendentes de europeus, deixamos de ter a visão romantizada dos índios, uma visão que remonta a ds pensadores do século XIX, do movimento do arcadistmo e do romantismo, os quais viam o índio como o seu ideal paradisíaco.

Assim como o conceito do que é ser português, aquele que veio colonizar esse país, mudou ao longo desses 500 anos, a noção de ser "índio" também mudou, e hoje, muitos destes usam roupa, tomam Coca-Cola e Skol, mas nem por isso deixam de ser indígenas. Pois eles, como todas os outros povos, mudaram sua forma de viver nesses 500 anos, e é bom lembra que mesmo que nenhum europeu chegasse a essas terras tupiniquins, os povos que aqui habitavam não seriam os mesmos. Imaginem então com todo esse contato com povos de inúmeras culturas exógenas.

Voltando ao assunto das leis, é bom ressaltar que leis são regras criadas por homens em suas diversas culturas, e elas devem servir pra nos ajudar a nos relacionar sem entrar nas vias de fato. Assim como os cidadãos brasileiros devem ser punidos por seus atos, como roubar, matar, estuprar, etc., os que reconhecemos como índios também devem ter a mesma lei pra respeitar, afinal, somos todos seres humanos.

Mas ressalto que devemos nos atentar a muitos de nossos valores, pois a noção de bem e mal muda de cultura pra cultura. Alguns povos indígenas possuem costumes que poderão ser aberrantes e inaceitáveis pra nossa cultura etnocêntrica, mas nem por isso devem receber punição por conta de nossas diferenças culturais.

Cabe portanto aos juristas terem sensibilidade antropológica na hora de darem o seu veredíto, levando sempre em conta essas pequenas diferenças culturais entre nós.

Norueganos, Mexicanos, Sul Africanos, Chineses, Iranianos, Indianos, indígenas.... Somos todos seres humanos, seres culturais, e devemos nos respeitar, assim como queremos ser respeitados.

Kelly Triacca







Novo estatuto retira de índios a condição de inimputáveis

Pela proposta, Justiça terá de avaliar se acusado de cometer crime tem noção da ilegalidade do ato

Felipe Recondo, BRASÍLIA

Uma mudança na legislação bancada pelo governo permitirá que a Justiça puna os índios que cometem crimes com o mesmo rigor com que são julgados os demais brasileiros. O texto do novo estatuto dos povos indígenas, que substituirá a legislação de 1973, será fechado no fim deste mês e define que os índios não são inimputáveis e têm plena capacidade para compreender o significado de seus atos. Para condená-los, a Justiça precisará avaliar se o ato praticado está de acordo com os usos e costumes da comunidade indígena a que pertence e se o índio tinha consciência de que cometia uma ilegalidade.

O novo texto corrige uma incongruência da legislação brasileira. O estatuto dos povos indígenas, que vigora desde 1973, diz que o índio é inimputável, ou seja, que não pode ser punido por seus atos porque não teria condições de saber o que é certo ou errado. A Constituição de 1988, por outro lado, diz que os indígenas podem ir à Justiça defender seus interesses. Poderiam, portanto, ser punidos também por seus atos. A divergência entre as normas criou situações antagônicas no Judiciário. Em alguns casos, os índios ficavam impunes; em outros, mesmo sem a perfeita noção de que haviam cometido um crime, eram julgados com o mesmo rigor que o não-índio.

Para evitar decisões que se choquem, o novo texto exigirá a produção de um laudo antropológico que determinará até que ponto aquele índio sabe que a conduta praticada é criminosa e para investigar se o ato está ou não de acordo com os valores culturais de seu povo. Essas informações serão consideradas pelo juiz na hora de dar o veredicto. Se o ato praticado for ao encontro de seus valores culturais e costumes da comunidade a que pertence, o índio não será punido. Caso contrário, será julgado como qualquer brasileiro. Além disso, a Justiça poderá livrar o índio que já tiver sido punido por sua comunidade.

CIDADÃO

O propósito central do novo estatuto é superar a ideia de que o índio pode ser tratado como "um débil mental", como traduziu um integrante do governo, e colocá-lo no mesmo patamar que qualquer cidadão. "A lei não vai mais tratar o índio como inferior, incapaz, mas como cidadão brasileiro com direitos e deveres, respeitados seus usos e costumes", disse o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira. "O índio tem a capacidade de entender o que é certo ou errado, mas isso deve ser analisado de uma forma nova pela Justiça", acrescentou o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay.

De acordo com o texto, que precisa ser aprovado pelo Congresso, cabe somente aos juízes federais decidir sobre as disputas que envolverem direitos indígenas. E, quando forem julgar um índio acusado de algum crime, deverão obrigatoriamente pedir uma perícia antropológica para saber se o acusado tinha ou não consciência de que o ato era ilegal - isso nem sempre é feito hoje. Os índios, por sua vez, terão direito a um intérprete, para que se defendam com mais desenvoltura em sua própria língua.

A proposta pode tirar da Funai a incumbência de defender os índios perante o Judiciário. O Ministério da Justiça entende que, com o fim da tutela, não cabe a um órgão do Executivo fazer a defesa pessoal dos indígenas. Como qualquer brasileiro, os índios seriam representados pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público - a saída da Funai encontra resistência entre índios e dentro do próprio órgão e, por isso, esse ponto ainda vai passar por uma discussão mais aprofundada.

HÁ 18 ANOS

Um projeto de atualização do estatuto dos povos indígenas, de autoria do hoje senador Aloizio Mercadante (PT-SP), tramita no Congresso há 18 anos. Em 1994, um texto alternativo foi aprovado, mas um recurso apresentado pelo PSDB acabou por deixá-lo parado na Mesa da Câmara desde então. De lá para cá, vários outros projetos foram apresentados para alterar pontos da legislação, como o tratamento penal dos índios, possibilidade de exploração de recursos minerais e hídricos em terras indígenas e mudanças na forma de demarcação. Nenhum avançou.

A um ano e meio das eleições de 2010, o grande desafio do governo e das organizações indígenas é garantir que o novo esforço por um estatuto atualizado não acabe também parado na Câmara. O presidente da Funai diz acreditar na aprovação do texto, especialmente por ser uma proposta construída em consenso entre governo, líderes indígenas e sociedade civil.

"Nós avaliamos que estamos num momento de amadurecimento. Por muito tempo, o governo ia para um lado, o movimento indígena ia para outro e a sociedade civil ia para um terceiro lugar. Temos hoje um ambiente favorável para recuperar a ideia de um novo estatuto, de um documento que seja de entendimento entre os povos, governo e sociedade civil", disse Meira.


"Você deve ser a mudança que quer ver no mundo".
Mahatma Gandhi